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Pedro Guedes
18 de dez. de 2025, 18:46

Doação de sangue no fim do ano: atitude que salva vidas


O mês de dezembro sempre remete ao brilho das luzes de Natal e às viagens de final de ano. Ao contrário do comércio, com estoques cheios para as datas festivas, os hemocentros costumam enfrentar baixa nesse período, justamente quando cresce a demanda pela doação e transfusão de sangue, devido a acidentes, emergências e procedimentos médicos.

 

Por isso, é essencial compreender a importância de uma atitude simples na reta final do ano: doar sangue. Com esse gesto de solidariedade, é possível salvar vidas e garantir que os hospitais atendam quem mais precisa.


Continue esta leitura para entender o porquê as doações diminuem no fim do ano, como essa queda impacta os bancos de sangue e de que forma cada pessoa pode ajudar a mudar essa realidade. Esperamos que este artigo seja o estímulo que faltava para você fazer a sua doação.


Por que os estoques de sangue caem no fim do ano?


Embora em dezembro as pessoas estejam mais sensíveis às causas humanitárias, essa costuma ser uma época difícil para os hemocentros. Isso porque há uma queda significativa nas doações de sangue nesse período. Conheça a seguir os principais motivos.


Menor comparecimento aos hemocentros


O fim de ano é um período onde a rotina muda: as pessoas costumam tirar férias, viajar e participar de eventos, esquecendo ou mesmo deixando a doação para depois. Além disso, a correria no trabalho ou para ‘’fechar’’ compromissos também influencia bastante.


Isso geralmente se repete todos os anos, fazendo os estoques de sangue ficarem em baixa e com seus estoques reduzidos nesse período tão crítico.


Redução das campanhas presenciais


Além de diminuir suas atividades, escolas, empresas e instituições (públicas e privadas) costumam paralisar suas operações em boa parte de dezembro. Assim, caem as campanhas e coletas externas promovidos por esses lugares para os seus colaboradores doarem sangue.


Sensação de “não urgência”


As férias e a correria de fim de ano impactam na percepção das pessoas sobre a costumaz falta de sangue nessa época. Geralmente, o foco da grande maioria está em comprar presentes, viagens e festas, deixando a doação de sangue em segundo plano.


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Ao mesmo tempo, a demanda por sangue aumenta


As estradas cheias no fim de ano, com grande circulação de veículos e viajantes, aumenta drasticamente o número de acidentes, que aumenta a necessidade de mais transfusões de sangue. 


A combinação desses eventos com menos doadores torna essa época do ano especialmente sensível para os bancos de sangue no país. Trouxemos alguns dados para entender melhor esse quadro:


- o trânsito nas rodovias brasileiras costuma aumentar entre 30% e 50% no período de Natal e Ano Novo, elevando a quantidade de acidentes e, consequentemente, a demanda por transfusões;


- segundo o Ministério da Saúde, o Brasil registrou 3.310.025 bolsas de sangue coletadas em 2024, um pequeno aumento de 1,9% em relação a 2023. Porém, essa quantidade ainda é insuficiente para suprir emergências em épocas de pico;


- em 2024, somente 1,6% da população brasileira doou sangue, um número estável, mas abaixo do ideal recomendado pela Organização Mundial da Saúde (entre 3% e 5% da população);

- hospitais continuam atendendo pacientes oncológicos, transplantados, pessoas com doenças hematológicas e casos de hemorragia, que não podem esperar o fim dos feriados para receber tratamento.


Mesmo que dezembro signifique o mês das férias para a maioria das pessoas, a vida não pede recesso. A demanda de paciente precisando de sangue nesse período continua alta, apesar da quantidade de doadores ser baixa.


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O impacto da falta de sangue na rede de saúde


A diminuição do número de doadores de sangue traz impactos significativos e causa um efeito dominó para toda a rede de saúde. Quando os níveis de sangue dos hemocentros não se mantém seguros (abaixo dos 50%), o sistema médico entra em alerta máximo.


Isso afeta desde cirurgias eletivas até casos de emergência que chegam diariamente aos hospitais. Entenda melhor os impactos para a rede de saúde quando os estoques de sangue estão baixos em dezembro.


Adiamento de cirurgias


Estoques de sangue baixo levam ao adiamento da realização de diferentes cirurgias, que dependem de transfusão de sangue. Esse quadro inclui as intervenções cardíacas, ortopédicas, oncológicas e até os procedimentos mais simples.


Por causa disso, no final do ano, muitos hospitais chegam a reduzir em até 40% a quantidade de cirurgias eletivas, devido ao estoque de sangue reduzido. Para alguns pacientes essa espera pode ser fatal, com uma piora do seu quadro clínico e riscos de complicações decorrentes do adiamento prolongado.


Risco para pacientes crônicos


Os mais afetados pela falta de sangue são os pacientes que dependem de transfusões constantes. Entre eles estão:


- pessoas com anemia falciforme;

- pacientes com talassemia;

- pessoas em tratamento de câncer, especialmente em quimioterapia;

- pacientes com insuficiência renal grave;

- pessoas com doenças hematológicas que impedem a produção adequada de hemácias ou plaquetas.

Os receptores de órgãos são outros pacientes que também são afetados pela baixa dos estoques de sangue no fim do ano.


Para todos esses casos, as transfusões fazem parte do procedimento ou de um tratamento continuo. E atrasar a sua realização pode causar infecções graves, queda de imunidade, crises dolorosas ou mesmo risco real de morte.


Risco aumentado em hemorragias no parto


Você sabia que no Brasil ocorrem, em média, 3 milhões de partos por ano? Muitas grávidas acabam falecendo em decorrência da hemorragia pós-parto, e em casos moderados ou graves a transfusão de sangue é decisiva para salvar suas vidas. Ou seja, a falta de sangue apresenta riscos e complicações tanto para a mãe quanto para o bebê.


Colapso no atendimento emergencial


Os acidentes de trânsito estão entre os maiores consumidores de bolsas de sangue, e em dezembro aumentam bastante. Só para se ter uma ideia, um único politraumatismo pode consumir de 4 a 10 bolsas de sangue em poucas horas.


Com o estoque de sangue baixo no período de férias de fim e início de ano, os riscos do sistema de saúde entrar em colapso são grandes. Nessa época, médicos precisam fazer escolhas difíceis, ao precisar adiar a realização de procedimentos ou limitar o atendimento de muitos casos.


Como manter os estoques estáveis durante os feriados


A boa notícia é que todos podemos contribuir para manter os estoques de sangue estáveis no fim de ano. Qualquer pessoa saudável, entre 16 e 69 anos, está apta para fazer a doação e reverter o quadro dos últimos anos. Com atitudes simples, podemos transformar a realidade e salvar vidas:


- planeje-se, doe sangue antes de viajar e aproveitar as festas de fim de ano;


- incentive familiares e amigos a doar, destacando a importância desse ato;


- fique ligado nos horários de atendimento dos hemocentros que costumam trabalhar com horários estendidos em dezembro;


- participe de campanhas promovidas pela sua cidade/estado.


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Faça a sua parte: doe sangue, espalhe esperança e fortaleça a vida no fim do ano


O Instituto Deixe Vivo é apoiador de campanhas em prol à doação de sangue. Com uma única doação, até quatro vidas podem ser salvas, e isso faz toda a diferença em um dos períodos mais críticos do ano para os hospitais. Ao doarmos sangue, também estamos oferecendo mais tempo e esperança de vida para outras pessoas.


Nos ajude a atingir mais pessoas! Compartilhe o nosso conteúdo em suas redes sociais para engajar ainda mais pessoas e trazer ainda mais brilho para o fim do ano. Doar sangue transforma o mundo e faz dele um lugar melhor.