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Pedro Guedes
1 de dez. de 2025, 20:22

Transplantes de órgãos: o Brasil é referência em salvar vidas


Existe um ditado popular que costuma dizer que ‘’A vida é um sopro’’, ainda mais quando tudo muda de repente e um órgão deixa de funcionar. Nesses momentos, uma única palavra pode fazer toda a diferença: sim


O transplante de órgãos transforma as vidas (a do doador, a do receptor e a das famílias de ambos) e transforma anos de incerteza em um futuro de esperança.


Quando o assunto é transplante de órgãos, é importante lembrar que o Brasil é referência internacional, com um dos maiores programas públicos do mundo desse tipo de procedimento. Ele é mantido pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) em conjunto com o Sistema Único de Saúde (SUS). Porém, como chegamos até aqui?


A resposta é que um longo caminho foi percorrido, construído passo a passo, marcado por desafios, avanços científicos e mudanças na legislação. Siga lendo este conteúdo para conhecer essa história, e entender por que dizer “sim” à doação de órgãos é um ato verdadeiramente revolucionário.


Um breve histórico inicial dos transplantes no Brasil


A década de 50 foi marcante para o Brasil dar os seus primeiros passos em transplantes de órgãos. Em 1954, o professor Hilton Rocha realizou o primeiro transplante de córnea no país, no Hospital São Geraldo, no complexo do Hospital das Clínicas da UFMG. Porém, nessa época, não havia regras nem uma legislação específica sobre esse tema. 


na década de 60 tivemos mais avanços com transplantes de outros órgãos sendo realizados no Brasil:


  • Em 1964: foi realizado o primeiro transplante renal, no Hospital dos Servidores do Estado (HSE), no Rio de Janeiro, entre um doador de 9 meses e um receptor de 18 anos;
  • Em 1968: foram feitos os primeiros transplantes de fígado, coração, intestino e pâncreas no Brasil.


Vale destacar o primeiro transplante cardíaco da América Latina, em 1968, empreendido pelo cirurgião Euryclides de Jesus Zerbini, que colocou o Brasil no mapa mundial dos transplantes. 


Embora tenham sido procedimentos marcantes, os primeiros transplantes enfrentaram grandes desafios, como à falta de medicamentos imunossupressores eficientes, uma organização precária e à rejeição dos órgãos pelo receptor


Somente a partir dos anos 80 que começaram a utilizar imunossupressores mais modernos (como a ciclosporina) que reduziram a rejeição e permitiram resultados melhores.


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Um novo capítulo: legislação, rede e consolidação


Entretanto, além da técnica e do pioneirismo dos especialistas brasileiros para aumentar o número de transplantes e desenvolver ainda mais essa área, era necessário ter regras mais claras e organização.


Nessa direção, tivemos um marco importante para os transplantes no Brasil. Em 1997 foi promulgada a Lei nº 9.434 que regulamentou a remoção e a doação de tecidos, órgãos e partes do corpo humano, definindo critérios éticos e legais.


Paralelamente a isso, foi criado o Sistema Nacional de Transplantes (SNT), uma estrutura que permite que a transplantação de órgãos seja realizada com base em critérios éticos, de equidade e transparência. Entre suas principais funções, podemos destacar:


- coordenar a captação e distribuição de órgãos nacionalmente;

- organizar as listas de espera;

- fiscalizar procedimentos e equipes;

- promover políticas públicas voltadas à doação.


A partir daí, as Centrais Estaduais de Transplantes e as CNCDOs (Centrais de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos) começaram a funcionar em todo o país, criando uma rede integrada que opera até hoje.


A consolidação do Brasil como referência mundial


Como é possível ver, não foi do “dia para a noite” que o Brasil se tornou referência mundial nos transplantes de órgãos. Graças à estruturação do SNT e à união entre técnicas médicas e políticas públicas, o país vive hoje uma fase de consolidação.


É importante frisar que o país oferece transplantes de forma gratuita e universal (algo raro no mundo), com os procedimentos sendo realizados em centros públicos e privados, sempre com suporte do SUS, que financia: ✅


- exames,

- cirurgias,

- internações,

- imunossupressores,

- acompanhamento contínuo.


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Números recentes: Brasil como referência mundial


Aliás, se considerarmos o volume de procedimentos, o Brasil é um dos líderes nas estatísticas globais, com destaque para os transplantes de rim, córnea e fígado. Confira alguns dados atualizados que trazem um panorama do cenário no país:


- Em 2024, o Brasil realizou mais de 30 mil transplantes viabilizados pelo SUS, registrando um crescimento de 18% em relação a 2022, sendo o maior número da história; 


- Em 2024, aproximadamente 78 mil pessoas aguardavam por um órgão no Brasil; 


- Entre os órgãos mais demandados em 2024: rim (42.838), córnea (32.349) e fígado (2.387);


- Entre os procedimentos mais realizados em 2024: córnea (17.107), rim (6.320), medula óssea (3.743) e fígado (2.454);


Desafios atuais: o “sim” que ainda falta


Apesar da ciência e do sistema evoluírem e avançarem, ainda existe uma grande lista de espera por um órgão no Brasil. Podemos afirmar que o maior obstáculo atual não é técnico, mas sim humano.


Infelizmente, a taxa de recusa familiar ainda é alta, cerca de 45% das famílias negam a doação - muitas vezes por desinformação ou medo do processo. 


Além disso, há gargalos como a desigualdade regional (com o acesso ao centro de transplante ainda se desigual, de um estado para o outro) e a falta de campanhas contínuas que estimulem e eduquem a população sobre a importância da doação de órgãos. 


Esses desafios mostram que fortalecer a cultura da doação de órgãos no Brasil segue sendo vital. Cada “sim” importa e a informação e sensibilização podem transformar decisões e vidas.


O futuro dos transplantes no Brasil


Após apresentar um breve histórico, números relevantes e o que diz a legislação brasileira a respeito da doação de órgãos, resta mais uma pergunta para ser respondida: o que o futuro reserva para os transplantes no Brasil?


É possível adiantar que os avanços científicos não param e a projeção futura é bastante promissora. Novas estratégias prometem fortalecer o sistema, como:


- a utilização de novas tecnologias de preservação e transporte de órgãos, garantindo mais segurança na logística;


- aquisição e o desenvolvimento de imunossupressores mais modernos, aumentando a qualidade de vida pós-transplante;


- adoção de melhorias nos protocolos de captação, visando mais agilidade e padronização;


- promoção de programas de educação para famílias e profissionais de saúde, reduzindo a recusa familiar e aumentando a taxa de doação.


Outras iniciativas em curso também merecem ser lembradas, como a implantação da Prova Cruzada Virtual (para reduzir o tempo entre a doação e o transplante, e diminuir o risco de rejeição) e a ampliação de transplantes de alta complexidade no SUS, como o de intestino delgado e multivisceral (antes restritos à iniciativa privada).


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Doar e se informar multiplica vidas


O histórico dos transplantes de órgãos no Brasil prova que salvar vidas vai muito além dos avanços tecnológicos ou médicos: é resultado de uma sociedade cujo princípio é cuidar uns dos outros. 


A doação de órgãos beneficia inúmeras pessoas, restaura sonhos, transforma destinos e multiplica esperança. Por isso, duas atitudes simples podem mudar e construir um mundo melhor: falar com seus familiares sobre o seu desejo de ser doador e informá-los melhor sobre isso.


A plena manifestação da sua vontade e a informação ajudam a quebrar tabus, combatem a desinformação e garantem que vidas sejam salvas. 


O Instituto Deixe Vivo faz parte dessa corrente em prol da doação de órgãos, informando e fazendo questão de mostrar o quão transformador é esse gesto tão simples.


O Brasil construiu um dos maiores programas públicos de transplantes do mundo e para crescer ainda mais, precisa do seu apoio. Compartilhe este conteúdo nas suas redes e faça o seu cartão de Doador de órgãos e Tecidos. Nossa voz, informação e o nosso ‘’sim’’ podem mudar o jogo.